             Femina

        No lavei os seios
       pois tinham o calor
        da tua mo.
         No lavei as mos
       pois tinham os sons
         do teu corpo.
         No lavei o corpo
       pois tinha os rastros
         dos teus gestos;
       tinha tambm, o meu corpo,
         a sagrada profanaco
       do teu olhar
         que no lavei.
        Nem aqueles lenis,
       no os lavei,
        nem os espelhos,
       que continuam
        onde sempre estiveram:
       porque eles nos viram
        cmplices, e apaixonados,
       no paraso,
        parece que era.
        Lavei, sim,
       lavei e perfumei
        a alma, em jasmim,
       que  tua, s tua,
        para te esperar
       como se nunca tivesses ido
        a nenhum lugar:
       donde apaguei
        todas as ausncias
       que apaguei
         ao teu olhar.

            Tiago de Melo
