Projeto CAP Diário do Motrix


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O programa Motrix foi idealizado para pessoas incapacitadas de manobrar o computador com as mãos, utilizando comando de voz.

A idéia surgiu da coautora dessa homepage, Lenira Luna.

Quando era aluna no curso de Medicina, na Universidade Gama Filho, por um acidente médico, ficou tetraplégica e só após grande luta, conseguiu a autorização para concluir seu curso.

Eu não podia virar a página de um livro, e não conseguia fazer anotações num caderno nem mesmo com as melhores adaptações. Todo material para mim era a cópia de cadernos de colegas, e uma amiga que estudava comigo. Minha sorte foi uma máquina de escrever elétrica (porque não havia computador naquela época) que eu conseguia acionar com um palito amarrado na mão, e na qual eu fazia as provas no meio do corredor.
Os anos se passaram, e com muita dedicação e estudo, ela se tornou uma grande radiologista, contando sempre com a ajuda de pessoas para usarem o computador para dar os complexos laudos que ela ditava.

É ela quem conta como tudo aconteceu e como um programa de computador pode mudar a vida de pessoas:

"Primeiro, preciso explicar o que me levou a isso: como portadora de tetraplegia, sou incapaz de realizar movimentos com os membros inferiores, com as mãos e capaz de mobilizar, com certa dificudade, os braços , portanto não conseguia utilizar essa ferramenta tão importante, o que me deixava chateada.

Estava ficando em desvantagem com relação aos meus colegas de trabalho, pois sou médica radiologista e exerço essa profissão há cerca de 18 anos, na maior parte do tempo em igualdade de condições, o que não vinha acontecendo ultimamente. Digo isso, pois o computador tornou-se peça fundamental em profissões que necessitem de pesquisas e discussões de casos. Além de tudo, precisava otimizar algumas horas ociosas que me obrigava a permanecer deitada, devido a minha condição física, após 13 horas sentada na cadeira de rodas, o que me impedia de realizar mínimos movimentos, até mesmo o de virar uma simples página de livro.

Bem, estava em uma dessas horas ociosas, quando assistia um programa de entrevistas, na televisão, e um professor da área de análises e sistemas do NCE da UFRJ, falava sôbre um programa específico para deficientes visuais (Dosvox), de sua autoria, e também sôbre outros, que já existiam em alguns países, para deficiências com grave comprometimento motor, onde me incluia. Então comecei a busca dessa pessoa tão especial, que se preocupa com classes desprivilegiadas e sem fins lucrativos, pois seu trabalho é gratuito. Em 15 dias me encontrava com o professor José Antonio S. Borges. Estávamos em janeiro desse ano (2002). No dia 5 de março já manobrava com meu computador em meu quarto, comandando com a voz e realizando todos os meus desejos e muito mais."


Formação do grupo Motrix

Lenira e Antonio

Lenira e o professor Antonio se tornaram grandes amigos e parceiros, pois era desejo de ambos que esse benefício não ficasse na obscuridade. Outros portadores de deficiência semelhante, teriam também que tomar conhecimento sobre a existência desse programa e a formação da primeira turma que teria contato com êle, não foi difícil. Algumas dessas pessoas já haviam adquirido computador, com a esperança de utilizá-lo, apesar de toda incapacidade física, entretanto sem consegui-lo.

Foto do grupo Motrix no dia do lançamento

Em 15 de julho, houve o lançamento do Motrix e formado o primeiro grupo de 10 participantes que, através de algumas aulas ministradas pelo professor, tomaram conhecimento da existência desse software, com grande cobertura jornalística, realizada no NCE, em uma sala apropriada, com as mesas e os computadores dispostos adequadamente para cadeiras de rodas. Na ocasião, o professor também demonstrou um outro projeto, fabricado pelo engenheiro Takano, seu amigo e companheiro do NCE, da mesma forma um grande ser humano, que possibilita realizar várias funções tais como: ligar/desligar televisão, rádio, abajour, ventilador, etc.., ainda em fase de experiência.

O primeiro passo foi dado, mas isso não satisfez o professor Antonio, pois aí já não teria sentido parar, não tinha mais como pensar que seria o suficiente fazer o programa e espalhar a notícia. Perante às tantas dificuldades vivenciadas com o grupo, principalmente no que diz respeito à trabalho, se sentiu obrigado a fazer mais. Logo, conseguiu com que aquele espaço, no NCE, ficasse à disposição da turma para que continuasse se reunindo, objetivando maior conhecimento de computação eletrônica, além de possibilitar o fortalecimento do sentimento de amizade que surgia. Obteve, através de uma amiga, uma doação de um computador para uma das participantes que, como alguns outros, não possuia condições financeiras para adquirir ou mesmo manter um aparelho com Internet e outros 2 já estão em vias de serem entregues, também obtidos através de doações.

Um parênteses deve ser feito, para explicar o porquê de alguns participantes, sem ter condições para manter um computador, fizeram parte desse grupo. É simples explicar: a vida, de pessoas tão dependentes fìsicamente, é muito solitária para a grande maioria e o "sonho" faz parte integrante dela, muito mais que se possa imaginar, é como se fosse um alimento para se manter vivo. Como para a maioria da população brasileira, que vive miseravelmente, mas se vive porque é preciso, "sonhar também é preciso".

Dois participantes foram escolhidos para receber a bolsa de estudos do NCE, com a finalidade de assessorar o professor na continuidade do projeto Motrix, tanto no aprimoramento quanto na divulgação.



Oportunidades

Hoje, já surgem propostas de possíveis empregos, já que aqueles, altamente comprometidos fisicamente, agora possuem uma ferramenta de trabalho primordial para determinadas funções.

A visita dos representantes da Amil, do setor de Assistência Social, com o objetivo de conhecer o trabalho do professor e ver a possibilidade de empregabilidade, foi recebida com muita esperança.

Proposta, como participação de curso profissionalizante com uso de computador, apareceu e estamos nos mobilizando para conseguir meio de locomoção para os participantes.

Aqueles recém-lesados, não foram esquecidos, pois em paralelo, o professor vem mantendo contato com a Fundação do Banco do Brasil que simpatiza com a idéia de implantar, nos centros de reabilitação, alguns computadores e viabilizar o uso do Motrix, no setor de terapia ocupacional. Lenira e o professor já realizaram encontros com duas instituições importantes, no Rio de Janeiro, sendo muito bem recebidos. Importante frizar que esse projeto da fundação abrange todo o país.



Reconhecimento

No dia 27 de setembro, o professor, representando a UFRJ, recebeu o prêmio Master do Instituto de Estudo e Pesquisa da Qualidade, em razão da valorização e divulgação científica do Motrix feita pela universidade.

O professor recebeu , na época do lançamento do Motrix, o reconhecimento de várias instituições ligadas a informática.

E para nós, portadores de deficiência física, pessoas como Antonio Borges reascendem a "luz no fundo do túnel", nos fazem acreditar que vale à pena lutar para permanecermos vivos e que juntos podemos construir um mundo melhor, sem preconceitos.


Finalização

O grupo vai se configurando, tomando um rumo, adquirindo credibilidade e seguindo em frente com muita esperança.

E é assim que um programa de computador vai transformando vidas.

Conheça os componentes do grupo


Envie carta para Lenira Luna e Maria Emília Medeiros Alves

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